Käthe Kollwitz

As marcas da dor humana

Käthe Kollwitz

(Königsberg, 1867 – Moritzburg, 1945)

Artista alemã com influências naturalistas e expressionistas que enfocou em seu trabalho a pobreza, a guerra e as precárias condições de vida da classe operária da primeira metade do século 20. Começou a estudar desenho aos 12 anos e na adolescência passou a retratar pessoas da classe trabalhadora, como marinheiros e camponeses. Aos 24 anos casou-se com seu namorado, Karl, agora um médico que atendia pessoas de baixa renda em Berlim, para onde se mudou. O casal morava num grande apartamento que se tornou o estúdio e o lar da artista até ser destruído na Segunda Guerra Mundial. Käthe considerava as pessoas da alta burguesia desinteressantes, enquanto mais se atraía pelas situações de sofrimento e injustiça que moldavam a vida da classe trabalhadora, com a qual se envolveu a ponto de torná-la seu tema permanente. A morte de seu filho caçula num campo de batalha da Primeira Grande Guerra a afetou muito, causando-lhe um prolongado estado de depressão. Nos anos 1930, com a ascensão do nazismo, seus desenhos e gravuras foram banidos dos museus. (Ironicamente, apesar de proibidas suas exposições, os nazistas usaram um de seus trabalhos para propaganda política.) Em 1936, confrontados pela Gestapo, ela e seu marido foram ameaçados de serem deportados para campos de concentração – o casal decidiu suicidar-se, caso isso viesse a acontecer. Mas agora Käthe era uma artista reconhecida internacionalmente, o que dificultava as coisas para as autoridades do governo, que acabaram desistindo de qualquer ação nesse sentido. No seu aniversário de 70 anos, ela recebeu inúmeros telegramas e cartas enaltecendo sua arte, incluindo convites para deixar a Alemanha e estabelecer-se nos Estados Unidos, que ela recusou por receio de que outros membros de sua família fossem prejudicados. Karl morreu doente em 1940, e seu filho mais velho morreu em combate dois anos depois. Käthe teve que fugir de Berlim em 1943. Nesse ano, sua casa foi destruída durante um bombardeio, e muitos de seus trabalhos e documentos perderam-se para sempre. Curiosamente, os únicos retratos pessoais que ela realizou durante a vida foram os de si mesma – como se todo aquele ambiente de injustiça e miséria que testemunhou tão ostensivamente fizesse parte de sua própria fisionomia e por meio dela refletisse sua compaixão, seu interesse pelos menos favorecidos, sua observação realista e sem retoques desse interminável drama que é a condição humana. Como Rembrandt, contou-nos sua vida através de autorretratos, num depoimento sem disfarces, de uma profundidade psicológica incomum. Käthe morreu alguns dias antes da tomada de Berlim e do final da guerra.

Outros artistas: John Frederick Peto

Conheça mais pessoas e suas vidas em Referências Biográficas

Leia mais:

Comentar | Trackback URL