Origem das palavras

Michael Craig-Martin. Paradise. 2009

(Esta página ainda está sendo montada, aos poucos.)

Glossário simplificado

Algumas palavras, menos conhecidas, trazem uma breve definição de seu significado. Outras vêm acompanhadas de algumas curiosidades.

O ano ou o século, após algumas delas, indica a primeira vez que apareceram na língua portuguesa.

Abreviaturas

al. alemão, ár. árabe, b. lat. baixo-latim, esp. espanhol, fr. francês, gr. grego, hebr. hebraico, ingl. inglês, it. italiano, lat. latim, sânsc. sânscrito, top. topônimo.

A.

abacate (náuatle awakatl, posteriormente através do espanhol aguacate.). 1776. O náuatle (náhuatl significa harmonioso) é uma família linguística uto-asteca, de povos que habitavam o México antes da chegada dos saqueadores espanhóis.

abacaxi (tupi iwaká’ti – i’bá, fruto, ká’ti, recendente). 1776. Além do nome da fruta, era também o nome de um grupo indígena que habitava as terras entre os rios Tapajós e Madeira, na região amazônica. Esse grupo está extinto.

ábaco (gr. ábaks, ábakos, ref. a matemático ou jogo, lat. abăcus, tábua de cálculo). 1548.

abadejo e badejo (esp. abadejo, dim. de abade, sacerdote). 1647. Nome comum a vários peixes serranídeos.

abajur (fr. abat-jour, que de certa forma significa quebra-luz, o que abate a claridade do dia). 1880. Era, inicialmente, o nome de uma espécie de janela que permitia controlar a entrada de luz.

abanar (lat. evannare, expelir). 1495.

abandonar (fr. abandonner). Séc. XIII.

abanheém, abanheenga, avanheenga (awa’ñeen, língua de gente, a língua geral dos tupis-guaranis). Séc. XIX.

abarcar (lat. abbrachiare, brachium, abraçar, alcançar com os braços). Séc. XV.

abaré, avaré (awa’ré, homem diferente). 1584. Era usada para designar os jesuítas ou quaisquer outros homens vindos do estrangeiro.

abater (lat. abbattuere, bater, combater). Séc. XIII.

abdicar (lat. abdicare, recusar julgar, negar). 1617.

abdome, abdômen (lat. abdômen, barriga). Séc. XX.

abelha (lat. apicula). Séc. XIII.

abelharuco (esp. abejaruco). 1611. Abelheiro, pássaro europeu (Merops apiaster).

aberto ((lat. apertu). 1257.

abertura (lat. apertura). Séc. XIV.

abismo (gr. ábussos, lat. abyssu, abysmus, sem fundo). Séc. XIII.

abóbada (lat. volvita, volta, revirar, por meio do português antigo a + boveda). Séc. XIII.

abóbora (provavelmente do latim hispânico apopores). Séc. X.

abricó (fr. abricot, damasco). 1583.

abril (lat. aprilis). 1182. A versão mais aceita é a de que a palavra se refere à estação em que as flores se abrem. Outra sugere que seja uma derivação de Aprus, nome etrusco da deusa Vênus, Afrodite para os romanos. De qualquer forma, há uma associação de ideias entre a primavera, a fertilidade e o erotismo.

abrir (lat. aperire). Séc. XIII.

abutre (lat. vultur, latim vulgar, vulture, fr. antigo, voutre, esp. buitre). Séc. XIII.

acácia (latim acacia, árvore do Egito). 1563. Palavra de origem egípcia, assimilada pelo latim através do grego akakía. O nome científico do gênero que inclui diversas espécies dessa planta, inclusive a arvore-da-goma-arábica, data de 1737.

academia (gr. akademía, lat. academia, it. accademia, fr. académie). Séc. XV.

açafrão (ár. az-zaHafrãn). 1269. Pistilos da flor Crocus sativus. É a mais cara das especiarias, pois são necessários 80 kg de flores, cerca de 250 mil unidades, para produzir 1 kg de açafrão.

açaí (tupi yasa’i, fruto que chora, que deita água). 1763.

ação (lat. actione). 1257.

acarajé (ioruba akara, bolo de feijões, ije, comida). 1889.

ácaro (lat. cient. Acarus, gr. ákari). 1871.

acelga (ár. as-silqâ). Séc. XV.

acém (ár. as-semn, gordura). 1587.

acento (lat. accentus, entonação, também do lat. accinere, formado por a- + canere, que significa cantar, algo como “junto ao canto”, “próximo do canto”, referindo-se à entonação de voz, com possível influência do fr. accent). 1582.

acepipe (ár. az-zebǐb, passa de uva). 1647.

acerola (ár. az-zu’rur, ou az-zaarōra, nêspera ou nespereira, esp. acerola). Também chamada acerolo e cereja-das-antilhas.

acidente (lat. accidens). Séc. XIV.

ácido (lat. acĭdus). 1690.

açoite ou açoute (ár. as-sot ou as-sawt).

acolá (lat. eccu(m) illac, eis lá, ali está). Séc. XIII.

acontecer (lat. contigescere, variação de contingescere, por contingere, chegar a, encontrar, atingir, resultar de). Séc. XIII.

açor (lat. acceptore, talvez do gr. akhúpterus, asa aguda, significando “o que voa rapidamente”; no catalão astor, no esp. azor, originalmente aztor). Séc. XIII. Ave falconiforme da família dos acipitrídeos (Accipiter gentilis), geralmente encontrada na Europa, na Ásia e na América do Norte.

acorde (fr. accord). 1649. Harmonia de sons emitidos simultaneamente, em acordo, “na mesma corda”.

acordeom (1858), acordeão (1922) (al. Akkordium, fr. accordéon). Nome dado por Ciriilo Demian, o inventor desse instrumento, em 1829.

açougue (ár. as-soq ou as-suq, o mercado ou a feira). 1254. Aparece pela primeira vez na língua portuguesa na forma azougue, mais tarde aaçougue, antes de chegar à versão atual. No século XV, período das Grandes Navegações, os portugueses, em contato com os mouros, mais uma vez trouxeram a mesma palavra, como se a reimportassem para sua língua, agora como soco (no castelhano, zoco).

actínia (gr. actin(o), aktisaktînos, raio, radiação). 1858.

açúcar (ár. as-sukkar, gr. sákcharon, sânscrito çarkarâ, pedregulho, grão, cristais de açúcar). Séc. XIV.

açúcar-cande (ár. gande, gand, suco de cana-de-açúcar espesso).

açucena (ár. as-sūsāna, de sūsān, lírio). 1567.

açude (ár. as-suud ou as-sudd, obstáculo, obstrução, represa, do verbo árabe sadd, fechar). 1139.

ad hoc (lat. ad hoc, para isso, para esse caso). 1871. De propósito. Adrede.

adega (gr. apothéke, depósito, armazém, lat. apotheca, por meio do latim vulgar adega). 1190.

adesivo (fr. adhésive, do latim medieval adhaesivus, que adere). 1794.

adição (lat. aditĭo, aditiōnis). Séc. XV.

ádipe, ádipo (lat. adeps, gordura animal). 1670.

adipsia (gr. ádipsos, sem sede). 1858.

adro (Séc. XIII), átrio (1597) (lat. atrĭum, sala da casa romana, vestíbulo). Pátio externo.Terreno em frente ou em volta de uma igreja.

aduana (ár. ad-diuaña ou ad-dīwān, registro de um exército, cancioneiro, conselho de ministros). 1383. Alfândega.

aduar (ár. ad-duuar ou ad-dūar, agrupamento de tendas). Séc. XV. Povoação móvel dos mouriscos.

adubo, de adubar (frâncico dubban, bater, pelo francês antigo adober, armar cavaleiro). Séc. XIV.

aférese (gr. aphaíresis, lat. aphaerese, ação de tirar). 1540. Supressão de fonemas ou de um grupo de fonemas no começo da palavra: batina (abatina), (José). Ablação.

África (origem incerta). Uma versão atesta que, na Antiguidade, alguns povos que habitavam regiões próximas a Cartago eram chamados afris. Os antigos romanos, que dominaram a região, já se referiam a Cartago (hoje na Tunísia) como capital da Província de África, que incluía também partes da Líbia. Nos mapas pioneiros de Hecateu de Mileto, do século 5 a.C., o mundo era dividido em três grandes blocos, sendo a região sul (Libye) o equivalente ao norte da África – Líbia era como os antigos gregos se referiam à África.

ágata (gr. achátes, pelo lat. achates – essa origem ainda gera controvérsias). 1708. Variedade de calcedônia que apresenta anéis concêntricos.

ágio (it. aggio, maior valor, em relação ao câmbio monetário. Mesmo assim, a origem é incerta). 1801.

agogô (ioruba, agogo-ago, sino, relógio, hora do dia). 1921.

agonia (gr. agonia pelo lat. agonia, luta nos jogos, combate; por extensão, luta contra a morte). Séc. XV.

aguentar (it. agguantare, agarrar, segurar firme uma corda ou algo similar). 1767.

aiatolá (ar. āyatallah, sinal de Alá na Terra). Alto dignitário da hierarquia islâmica, entre os xiitas.

aids (ingl. aids, iniciais de acquired immunological deficiency [ou immunodeficiency] syndrome). 1982.

álcool (ár. al-huhul ou al-kuhl, pó metálico de antimônio ou chumbo). 1691.

aldeia (ár. ad-daya(t) ou al-dayHa). 1134.

alecrim (ár. al-iklīl).1583.

alfabeto (gr. alphabetos, pelo lat. tardio alphabetum). 1191.

alface (ár. al-hassat, al-khass). 1526.

alfafa (ár. al-halfa, esparto, arbusto inicialmente utilizado como medicinal.). Séc. XIII.

alfaiate (ár. al-hayat, costureiro). 1255.

alfândega (ár. al-fundaq, hospedaria, estalagem). 1392.

alfinete (ár. al-filed, costureiro). Séc. XV.

álgebra (ár. al-djabr, al-jabrâ, al-gabara(t), redução). 1519. Seu significado original, redução, se deve às simplificações de escrita que essa técnica matemática tornou possíveis.

algodão (ár. al-kutun). A planta foi introduzida na região da Andaluzia no séc. XII. A palavra é registrada pela primeira vez em 1279.

alguidar (ár. al-gidār). Séc. XIV. Vasilha cujas bordas têm o diâmetro muito maior que o fundo. Ababá.

alho (lat. allium, alho ou cebola, na forma popular).1254.

alicate (ár. al-laqāţ, al-ligāţ, tenazes).1572.

almadraque (ár. al-matrah, colchão). 1258. Colchão grosso e rústico. A palavra de língua inglesa para colchão (mattress) tem essa mesma origem, passando pelo francês arcaico e pelo italiano.

almanaque (ár. al-munah, al-munākh e al-manākh, lugar onde o camelo se ajoelha). Estação, clima). Séc. XV. Inicialmente, um calendário com os dias e os meses do ano.

almofada (ár. al-muhadda(t), travesseiro). Séc. XIV.

almôndega (ár. al-bundqa(t), al-bunduqa(t), bolinha). 1566.

alqueire (ár. al-kayl, medida de capacidade para sólidos e líquidos). 1111.

alquimia (ár. al-khemia, pedra filosofal, que supostamente poderia transformar os elementos). 1532. A palavra vem do Egito antigo, onde significava transmutação. Os árabes a levaram à Europa (khumeia) com o sentido de mistura de vários sucos, imisção.

amarelo (baixo-latim hispânico amarellus, diminutivo de amarus, amargo). 944. O amarelo-dourado é a cor da bile antes de se oxidar e adquirir o tom esverdeado.

âmbar (ár. al-Hanbar, significando o âmbar-gris). 1256. No grego, élektron é o nome que se dá ao âmbar-amarelo.

ambiente (lat. ambĭens, ēntis, particípio presente do verbo ambĭre, significando andar ao redor). 1619. Tem a mesma origem de ambular, andar.

América (do antropônimo Amerigo Vespucci, cartógrafo italiano). 1607. A palavra aparece pela primeira vez nos mapas do alemão Martin Waldseemüller, de 1507, como parte da legenda Americi Terra vel America (Terras de Américo ou América). Na língua portuguesa, ela aparece pela primeira vez na obra Lusitânia transformada, de Fernão Álvares do Oriente.

ampère ou ampere (fr. ampère). 1899. Homenagem ao físico francês André-Marie Ampère (1775-1836), responsável por importantes descobertas no campo do eletromagnetismo.

ancestral (fr. ancêtre, forma derivada do lat. antecessŏris). 1886.

anta (ár. lamta. Também chamada de tapir, do tupi tapi’ira) Séc. XV.

Antártica ou Antártida (gr. antarctikós, lat. antarctĭcus, oposto a Ártico [anti-arcticus]). 1494. Austral, meridional, em oposição a boreal, setentrional. Embora as duas formas sejam corretas, a Marinha brasileira aconselha que se use a primeira, por ser mais fiel à origem.

antecesssor (lat. antecessŏris, o que precede na marcha, em uma fileira, o termo final provavelmente associado a ceder, contendo a ideia de ceder a vez). Séc. XIII. No latim clássico, os antecessores eram chamados maiores.

apartamento (fr. appartement). 1895.

apereá e preá (tupi apere’á, preá). 1587. Roedor muito comum na América do Sul (Cavia aperea).

aplomb (fr. aplomb). Segurança, desembaraço, desenvoltura.

apócope (gr. apókopé, lat. apocǒpe, apo, afastamento, separação). 1540. Supressão de fonemas no final da palavra: grão-mestre, grão-vizir (grande), bel-prazer (belo), são (santo).

aporia (gr. aporía pelo lat. aporia). 1858. Dificuldade, de ordem racional, que parece decorrer exclusivamente de um raciocínio ou do conteúdo dele. O grego Zenão de Eleia criou cerca de quarenta desses paradoxos, conhecidos como aporias eleáticas. Dificuldade, confusão, caminho sem caminho.

aquarela (it. acquarella, do latim aquar, aquarius, relativo a água). 1836.

arara (tupi a’rara, nome comum a diversas aves de grande porte, provavelmente onomatopeia). 1576.

archote (esp. hachote). 1706.

arrebol (lat. rǔbor, rubōris, ruivo, vermelho, referindo-se à cor avermelhada do crepúsculo). 1632.

arroz (ár, ar-ruzz). Séc. XV. No malaio, ari significa arroz descascado, derivada de uma raiz que significa separar, descascar.

Ártico (gr. arctikós, lat. arctĭcus). Séc. XV. Austral, setentrional. O nome deriva do grego árktos, urso, da constelação da Ursa Menor, vista somente no hemisfério norte. É a mesma origem do antropônimo Artur.

ascensão (lat. ascensĭo, ōnis, ato de subir, ascender). Séc. XIII.

Ásia (gr. Asia). Nome de uma ninfa oceânica da mitologia, também chamada Clímene. A palavra aparece em mapas de Hecateu de Mileto no século 5 a.C., nos quais o mundo era dividido em três partes principais, e também nas referências de Heródoto em cerca de 440 a.C. Inicialmente era usada para designar apenas a região que hoje compreende a Turquia – para os antigos, Ásia Menor. Assuwa era o nome de uma confederação de Estados que existiu por volta de 1400 a.C. e talvez tenha relação com a referência feita na Ilíada, de Homero, quando menciona Asios, filho de Hírtaco, aliado dos troianos.

assassino (ár. haššašin, consumidor de haxixe, pelo persa hassassin). Séc. XV. Designação dos sectários do norte do Irã que, durante as Cruzadas, consumiam ervas antes de lutar.

assimilação (lat. assimilatĭo, ōnis, similar, semelhante, provavelmente por influência do francês assimilation). 1712. Transformação de um fonema em outro, por exemplo, no fonema seguinte, como no caso de esse (ipse), nosso (nosto, nostro) ou no precedente, como em enteado (antenatu).

astenia (gr. asthéneia). 1694. Fraqueza orgânica, debilidade.

até (origem duvidosa, provavelmente do árabe hatta). 1103.

ateliê (fr. atelier, inicialmente o local onde o artista trabalhava a madeira). Séc. XX.

átomo (gr. átomos, pelo latim atomus). Séc. XV.

atril (esp. atril, ant. esp. latril, b. lat. lectorile ). Espécie de estante em plano inclinado, onde se põe papel ou livro aberto para se ler comodamente. Leitoril.

auto (lat. actu). Ato público, solenidade. Registro escrito e autenticado de qualquer ato. Composição dramática originária da Idade Média, com personagens geralmente alegóricas, como os pecados, as virtudes, etc. e entidades como santos, demônios, etc., e que se caracteriza pela simplicidade da construção, ingenuidade da linguagem, caracterizações exacerbadas e intenção moralizante, podendo, contudo, comportar elementos cômicos e jocosos.

auto (gr. autós). Prefixo que indica a ideia “de si próprio”, “para si próprio”, “por si próprio”.

autopsia, autópsia (gr. autopsía). 1836, 1861. Exame de si mesmo.

avatar (sânsc. avatara, descida – do Céu à Terra). 1871.

avelã (lat. Nux avellana, noz de Abela, região de Campânia). Séc. XIV.

aversão (lat. aversio, aversione). 1598.

avesso (lat. aversus). Séc.  XIII.

azar (ár. az-zahar ou az-zahr, flor, porque se pintava uma flor em uma das faces dos dados de jogos). Séc. XV.

azul (árabe-hispânico lazurdii, do persa lazward, e finalmente a forma arcaica azur). Séc. XIII. Lápis-lazúli, azul.

 

B.

Baal (hebr. Bahal, senhor, título divino).

baba (latim vulgar, baba).

babá (ioruba, babá, pai).

babaçu (tupi, wawa’su).

babalaô (ioruba, babáulá, sacerdote).

babel (top. Babel, confusão , desordem).

babilônia (top. Babilônia, cidade grande e confusa).

babilônio, babilônico (gr. babylónius, lat. babyloniu, babylonicu).

babucha (ár. babujâ)

baby-doll (ingl.)

baby-sitter (ingl.)

bacamarte (fr. braquemart).

bacana (do genitivo bacan, amo). De Baco, dos adoradores do deus Baco, geralmente pessoas ricas e distintas da sociedade romana. Gíria de origem argentina, significando grã-fino.

bacanal (lat. bacchanale).

bacante (lat. bacchante, sacerdotisa de Baco).

bacelo (lat. bacillu, varinha, vara de videira que, plantada, reproduz a vinha).

bacharel (fr. bachelier, através das formas antigas bachaler e bachiller).

bacia, bacio (catalão, bací).

bacilo (lat. bacilu, bastonete).

baderna (do antropônimo Baderna, de Marieta Baderna, uma dançarina italiana que esteve no Rio de Janeiro em 1851). Inicialmente significava um grupo de rapazes.

bioco (lat. veoco, velum). Séc. XV. Véu ou mantilha usada pelas mulheres para aparentar discrição. Embora pareçam palavras muito diferentes, bioco e véu têm a mesma origem, em velum, tecido, como a vela dos navios.

briga (celta bríga, força, pelo fr. brigue e pelo it. briga, controvérsia, luta). 1472. As palavras briga, brigada e brigadeiro são cognatas, isto é, têm o mesmo radical comum, a mesma origem. A origem do nome do doce (brigadeiro) é incerta.

brigada (fr. brigade, tropa). 1660.

brigadeiro (fr. brigadier, o comandante de uma brigada). 1708.

brilho (gr. beryllos, lat. beryllus, por meio do esp. brillar e do it. brillare, referindo-se ao berilo, composto por berílio, em razão do aspecto cintilante desse elemento). 1789. O berilo é um ciclossilicato de berílio e alumínio, com fórmula química Be3Al2(SiO3)6. Mas o elemento berílio foi descoberto mais tarde, em 1797, pelo francês Vauquelin, na forma de óxido, no berilo e na esmeralda, e essa é a razão de a palavra constar na língua portuguesa desde 1789, antes da identificação conclusiva desse metal. Wöhler e Bussy, de forma independente, o isolaram somente em 1828.

calendas (lat. calendae). 1244. Primeiro dia de cada mês, no antigo calendário romano. Convencionavam-se três dias fixos: calendasnonas (5o ou 7o dia) e idos (13o ou 15o dia), dependendo do mês.

cana (lat. canna, gr. kánnahaste de forma cilíndrica). Séc. XIV. Cana, cano e caneta têm a mesma origem, o latim canna, antes o grego kánna, uma haste de forma cilíndrica. No inglês, cane significa bengala. A origem é a mesma, passando pelo francês medieval. Nas duas línguas, essas palavras são primeiramente identificadas no século 14 – exceto caneta, que é uma derivação, no português registrada pela primeira vez em 1836. Não se conhece a origem da palavra cana no sentido coloquial de prisão, cadeia, mas é possível que a expressão “entrar em cana” ou “entrar na cana” tenha se originado da ideia de ser castigado fisicamente, levar uma surra com algo parecido com uma bengala, um cabo de vassoura, uma haste de cana.

caneta (cana + eta). 1836.

cano (lat. canna, gr. kánnahaste de forma cilíndrica). Séc. XIV.

cifra (hindi sunya, vazio ou vácuo, por meio do árabe sifr, depois pelo latim medieval). 1454. As palavras zero e cifra têm a mesma origem, o vocábulo hindi sunya, que significa vazio ou vácuo, por meio do árabe sifr, que derivou para zero no francês e no italiano e cifra no latim medieval, com o mesmo significado. Na Europa do século 13, o zero foi visto mais como um sinal de pontuação do que propriamente como um número. O zero é o único número complexo que é tanto real como puramente imaginário. Não sabemos se foi descoberto ou inventado.

ciúme (lat. zelúmen,ìminis, por zélus, zelo). Séc. XV. Ciúme deriva de zelo, modificando o sentido original de excesso de cuidados, com relação ao aspecto amoroso, para algo mais especificamente associado ao instinto de posse. Essa palavra é mais usada no plural.

cizânia (gr. zizánion, pelo latim zizanĭa, joio). 1572.

craque, crack (al. Krach, colisão, estalido, escândalo, pelo inglês crash). A palavra tem origem na língua alemã porque a primeira vez que se desencadeou uma crise financeira em grande escala, com a falência da Jay Cooke and Company, da Filadélfia (EUA), a consequência foi, além da queda desastrosa da Bolsa de Nova York, a dissolução da Bolsa de Viena, na Áustria. Esse episodio foi chamado de Pânico de 1873 e inaugurou a série de crises e depressões que entrariam pelo século 20.

escudela (lat. scutella, diminutivo de scuta, tigela, gamela). Séc. XIII.

escrita (lat. scriptum). 1713. A palavra “escrita” tem origem no latim scriptum. E a palavra serifa (a linha que arremata as letras, usada para fechar os números romanos nas partes superior e inferior, por exemplo) chega até nós pelo inglês serif, que por sua vez provém do holandês schreef , significando “linha escrita”, e originada na palavra schrijven, outra vez “escrita”, em holandês (ou neerlandês). É interessante que o vocábulo schreef associe a ideia de linha e também de escrita. “Escrita” e “linha” têm tudo a ver em suas origens.

Espanha (origem controversa, mas provavelmente do fenício I-Shafan, costa de coelho). Séc. XIII.

estrelitzia, estrelícia (lat. científico Strelitzia, de Charlotte Sophia, princesa de Mecklenburg-Strelitz (1744-1818), esposa de George III, rei da Grã-Bretanha e Irlanda). 1899. Plantas do gênero Strelitzia, família das musáceas.

Europa (por meio do grego, mas de origem incerta). Nome de uma princesa fenícia mitológica que teria sido levada por Zeus, transformado em um touro, até as ilhas gregas do sul. Com o tempo, esse nome passou a designar a região central da Grécia e, por volta de 500 a.C., aplicava-se também às terras mais ao norte.

faca (origem desconhecida). Séc. XV. Tudo indica que seja uma exclusividade da língua portuguesa. Não há vocábulos semelhantes em outras línguas.

faina (esp. faena, catalão fahena). 1554. Inicialmente significando tarefa, missão, um trabalho que deve ser feito, tornou-se uma forma distinta de designar atividades obrigatórias no linguajar específico da Marinha – para os homens do mar, faina é um trabalho coletivo; faxina, uma tarefa individual.

fantasia (gr. fantasia, lat. fantasia). Séc. XIV. As palavras fantasia e fantasma significam praticamente a mesma coisa. Mas a primeira acabou adquirindo uma conotação mais positiva e alegre, relacionando-se a fascínio, encanto, utopia, enquanto a segunda continua frequentando pesadelos infantis e a imaginação dos visitantes da Torre de Londres. Fantasmal, fantasmagórico, fantasmático e fantástico são adjetivos correspondentes.

fantasma (gr. phántasma, phántasmatos, lat. phantasma). Séc. XIV.

faxina (it. fascina, feixe de lenha miúda). 1287. Inicialmente significando qualquer trabalho braçal árduo, cansativo, como o de conseguir e transportar lenha, acabou assumindo um significado específico, o de arrumar, organizar ou limpar. Até hoje, um de seus significados é pouco conhecido: uma unidade de peso para lenha, equivalente a 60 kg.

Fenício (gr. Phoinnik ou Phoînix, Fenícia, palavra grega para púrpura). 1508. Relativo a Fenícia, antigo país no litoral da Síria. Essa era a cor de um pó corante vendido aos gregos pelos fenícios e não encontrado em nenhum outro lugar. Os fenícios surgiram como identidade cultural há 5 mil anos. Viveram em cidades-estados independentes, como Ugarit, Biblos, Sidon, Tiro e Beritus (atual Beirute). Os fenícios da Síria eram chamados siro-fenícios. Cultura centrada no comércio marítimo, com capital na antiga Canaã, região costeira dos atuais Líbano, Síria e Israel. Eram grandes navegadores e estão entre as primeiras civilizações que criaram o birreme (galé), embarcação movida pelo esforço humano. Não deixaram literatura ou registros escritos, além de algumas curtas inscrições em pedra. Mas o alfabeto fenício, criado em 1050 a.C., era inovador, pois os sinais representavam sons e não pictogramas. É o sistema ancestral dos alfabetos grego, latino, árabe e hebraico. O nome Espanha vem de uma palavra fenícia, I-Shafan, que significa costa de coelho.

filosofia (gr. philosophía, amor ao estudo, ao conhecimento, pelo latim philosophĭa). Séc. XIV.

garfo (provavelmente do grego grapheîon, pelo latim graphĭum, significando algo com ponta para escrever). Séc. XIII. Sua origem é incerta e pode ter relação com o espanhol garfa, garra. Há também as antigas palavras francesas gavelot e gaveloc, que podem ter evoluído do inglês medieval gafeluc ou gafeluc, com origem no celta britânico gablākos, um espeto com ponta em forma de forquilha.

herdade (lat. heredĭtas, herança). 976. Propriedade rural de grandes dimensões. Quinta. Fazenda.

julho (lat. julius, em homenagem a Júlio César). 1255. O nome desse mês era quintil (lat. quintilis), por ser o quinto do calendário romano, substituído pelo calendário juliano em 46 a.C. No calendário anterior, o ano começava em março.

máscara (it. maschera). Séc. XV. No latim medieval, masco era um termo associado à feitiçaria e significava fantasma, uma entidade indefinida, inicialmente uma maneira de esconder a identidade com algum véu ou tecido de cor negra.

mascote (fr. mascotte, do antigo provençal mascoto, que significava sortilégio, referindo-se a uma pessoa ou animal que pudesse trazer boa sorte.) Séc. XX. Mascoto, por sua vez, é uma forma derivada de masco, vocábulo associado às artes mágicas de supostas feiticeiras. No latim medieval, masco era um termo associado à feitiçaria e significava bruxa ou fantasma, de onde vem também a palavra máscara, inicialmente uma maneira de esconder a identidade com algum véu ou tecido de cor negra. A Provença é uma região no sul da França, de onde era possível atravessar mais facilmente a cordilheira dos Pireneus e chegar à Espanha, razão pela qual as línguas ibéricas, ancestrais inclusive de nossa língua portuguesa, são variações do provençal. Os trovadores medievais compunham seus versos nessa língua.

matemática (gr. máthēma, ciência, aprendizagem, pelo latim mathematĭka). 1537.

mayday (fr. m’aider ou m’aidez, me ajude). 1927. Forma corrompida da expressão francesa usada em língua inglesa como pedido de socorro no sistema internacional de radiotelefonia, em casos de emergência envolvendo a navegação aérea ou marítima. Nos tempos do telégrafo, era usado o S.O.S., uma sigla cujas letras em código Morse correspondiam a três pontos, três traços e três pontos. Além de ser de fácil memorização e transmissão, configura um arranjo muito incomum na língua inglesa: o aparecimento dessas três letras, nessa sequência específica, por si só fazia ver que alguma coisa podia estar errada. Mais tarde, foram atribuídos significados à sigla S.O.S, como Save our souls (salvem nossas almas) ou Save our seamen (salvem nossos marinheiros). Essas versões são adaptações posteriores e não correspondem à verdadeira origem do termo em questão.

medronho (origem incerta). 1516. Fruto semelhante ao morango.

mênstruo, menstruação (lat. menstruum, pl. menstrua). Séc. XIV. A raiz dessa palavra se refere à Lua (mond em alemão, maan em holandês, moon em inglês) e deu origem a outras palavras, como mês (lat. mensis). A associação se deve aos ciclos menstruais e aos primeiros calendários lunares.

menta (gr. mintha, planta aromática, pelo lat. menta ou mentha). Séc. XV. A denominação científica para o gênero Mentha data de 1735.

mente (lat. mens, capacidade de pensar, inteligência). Séc. XIII.

mês (lat. mensis). 1255. A raiz dessa palavra se refere à Lua (mond em alemão, maan em holandês, moon em inglês) e deu origem a outras palavras, como mênstruo e menstruação (lat. menstruum, pl. menstrua). A associação se deve aos ciclos menstruais e aos primeiros calendários lunares.

meteoro (gr. metéoros, que está nas alturas). 1682.

mugir (lat. mugĭo). Séc. XIII. Emitir mugidos. É muito provável que haja uma relação direta entre o verbo mungir e o som produzido pelas vacas, mas não há registro informando sobre isso.

mungir (lat. mulgire). Séc. XIII. Ordenhar vacas, cabras.

negócio (lat. negotìum, ocupação, trabalho). 1293. De certa forma, negócio sugere a negação do ócio.

Oceania (forma latinizada feminina de oceano). 1828. No século 19, o naturalista francês René Primevère Lesson, que percorreu vários pontos do oceano Pacífico em expedições com objetivos científicos, deixou diversos trabalhos escritos, entre estudos e relatos de viagem, mencionando fauna e flora das ilhas desse oceano, de onde surgiu a forma feminina (Oceania) para designar a região.

ócio (lat. otìus, descanso, lazer). Séc. XV.

-opse (gr. opsisopseos). El. comp. vista. Ex.: sinopse.

pelúcia (derivado de pelo, mas com influência do it. e do fr. peluche). 1789.

petúnia (lat. científico Petunia, fr. pétun [1803], associado ao tupi pe’tϊma, petume, tabaco). 1873. Plantas do gênero Petunia, família das solanáceas.

planeta (gr. planétes, errante, que vagueia, pelo latim tardio planeta). Séc. XIII.

serifa (ingl. serif). Veja curiosidade em escrita.

sorvete (ár. xarāb, bebida, poção, por meio do fr. sorbet). 1720. Tem a mesma origem da palavra xarope, que significava suco ou poção, um preparado de frutas com sabor adocicado. Mais tarde, o equivalente ao xarope passou a ser ministrado com funções terapêuticas, enquanto o equivalente ao sorvete continuou sendo visto como sobremesa – depois consolidando-se na tradição de uma iguaria que se serve gelada. No inglês, xarope se diz syrup, sendo a matriz do árabe filtrada pelo latim medieval syrupus.

tectônica (gr. tektonikós pelo al. Tektonik, arte de construir). 1899. Tem a mesma origem de teto e arquitetura.

telha (lat. tegùla). 1179. As palavras tigela, telha e (previsivelmente) telhado têm a mesma origem. Então, quando se brinca, dizendo que alguém cortou os cabelos no mesmo limite horizontal, à moda tigela, isso faz sentido. A palavra latina tegèlla significava uma espécie de chapéu de palha ou junco, sem abas, que cobria a cabeça. Como uma tigelinha mesmo. Como era algo associado a cobertura, cobrir a cabeça, as formas variantes tegùla e tegùlum deram origem a telha e telhado.

telhado (lat. tegùlum). 976.

texto (lat. textus). Séc. XIV. Tem a mesma origem de têxtil, por denominar uma trama, um conjunto de elementos formando uma unidade.

tigela (lat. tegèlla). 1509.

xarope (ár. xarāb, bebida, poção). Séc. XIII. Tem a mesma origem da palavra sorvete, que significava suco ou poção, um preparado de frutas com sabor adocicado. Mais tarde, o equivalente ao xarope passou a ser ministrado com funções terapêuticas, enquanto o equivalente ao sorvete continuou sendo visto como sobremesa – depois consolidando-se na tradição de uma iguaria que se serve gelada. Sorvete chegou à nossa língua por meio do francês sorbet. No inglês, xarope se diz syrup, sendo a matriz do árabe filtrada pelo latim medieval syrupus.

zelo (lat. zélus, zelúmen,ìminis). Séc. XV. A palavra ciúme deriva de zelo.

zero (hindi sunya, vazio ou vácuo, por meio do árabe sifr, depois pelo francês e italiano). 1836. As palavras zero e cifra têm a mesma origem, o vocábulo hindi sunya, que significa vazio ou vácuo, por meio do árabe sifr, que derivou para zero no francês e no italiano e cifra no latim medieval, com o mesmo significado. Na Europa do século 13, o zero foi visto mais como um sinal de pontuação do que propriamente como um número. O zero é o único número complexo que é tanto real como puramente imaginário. Não sabemos se foi descoberto ou inventado.

zinco (al. Zink, germânico Zinke, ponta, extremidade aguçada, pelo fr. zinc). 1786. (Símb.: Zn). A palavra pode ter sido usada pela primeira vez por Paracelso (1493-1541), médico e alquimista suíço do período renascentista, que chamou o elemento de zincum.

zizânia (gr. zizánion, pelo latim zizanĭa, joio). Séc. XV. Na língua portuguesa, é o único vegetal que começa com z – mas, lamentavelmente, também se chama cizânia. São sinônimos: joio e larica. Costuma crescer entre plantações de trigo, daí a expressão “separar o joio do trigo”. No passado, era usada na fabricação de cerveja.

Sertão, banana, gárgula

Por onde começar? Pelo começo. Etimologia é o estudo das origens das palavras – mas disso nós já sabíamos. A própria palavra etimologia vem do grego étymos, que significa verdadeiro, sugerindo o verdadeiro significado de uma palavra – e todos já percebemos quantas palavras e repetições se seguiram para dizer uma mesma coisa. Paciência. E logos, de onde deriva logia, quer dizer ciência, tratado, estudo – do que também todos nós já sabíamos. Mas sobre algumas delas, das palavras, ainda pouco ou nada sabemos.

Por exemplo, ninguém sabe com certeza de onde vieram bagre, preto, sertão ou tubarão. (Leia mais…)

Esportes com bolas

Alguns esportes hoje muito conhecidos foram nomeados pela língua inglesa. O basquetebol ou apenas basquete (basket ball); o golfe (golf), que tem origem escocesa; o voleibol ou simplesmente vôlei (volley-ball), do latim volare, voar, significando voleios com a bola, arremessos e voltas no ar; o tênis (tennis, provavelmente do anglo-normando tenetz, mas ainda sem consenso sobre isso); e o mais conhecido entre nós, o futebol (football) que também agrega palavras associadas ao jogo como gol (goal) e pênalti (penalty).
Outros, como o boliche, apesar de tão difundido nos Estados Unidos (em inglês se diz bowling, termo também usado em Portugal), tem o nome em português derivado do espanhol platino boliche.

Jogos de tabuleiro

Damas, palavra que faz você pensar em mulheres nobres ou figuras do baralho, alguma coisa de europeia ou medieval, deve sua origem ao árabe ax-xitranj, depois tornado attaman – em sua versão final, damas. (Leia mais…)

Algumas frutas

abacate, do náuatle awakatl, posteriormente através do espanhol. O náuatle (náhuatl, harmoniosa) é uma família linguística uto-asteca, de povos que habitavam o México antes da chegada dos saqueadores espanhóis.
abacaxi, do tupi-guarani i’bá, fruto, ká’ti, recendente, e açaí yasa’i.
abóbora, do latim hispânico apopores.
acerola, do árabe az-zu’rur, através do espanhol acerola.
banana, de origem africana.
caqui, do japonês kaki.
lima (lima[t]) e limão (laymūn) vieram do árabe.
mamão vem do português mesmo, de mama, pela semelhança com um seio.

A fruta, a flor e a cor

laranja: como a cor deriva da fruta, o que vale é a origem da fruta, que inicialmente era naranga, do sânscrito, passando pelo persa narrang e chegando até nós através do árabe naranja.
rosa: do latim rosa.
violeta, também do latim: viola + eta, forma diminutiva, talvez pela semelhança das pétalas com esse instrumento em sua forma antiga, particularmente tendo como modelo uma das inúmeras espécies, a Viola odorata, que significa viola cheirosa.

Algumas cores

amarelo (baixo-latim hispânico amarellus, diminutivo de amarus, amargo).

azul (árabe-hispânico lazurdii, do persa lazward, e finalmente a forma arcaica azur).

branco, do germânico blank, brilhante, luzidio, referindo-se à lâmina de uma espada ou faca. Daí também deriva a expressão arma branca (adagas, espadas, sabres) diferenciando-se de arma de fogo, aquelas que usam pólvora.
marrom, do francês marron, castanho.
preto, como já visto, tem origem duvidosa. Alguns pesquisadores sugerem que tenha derivado do arcaico despretzo (desprezo), referindo-se à maneira como os antigos europeus tratavam os mouros do norte da África. Mas, enquanto não se apresentam provas, ninguém aposta nada.

Todas do latim

roxo, de russeu, da cor vermelha. No passado, já foi roixo.
verde, de viride, da cor das ervas.
vermelho, de vermiculu, pequeno verme, mas referindo-se à cochonilha, de que se extraía esse pigmento.

Algumas flores

acácia, do egípcio através do grego (akakía), depois do latim (acacia).

Outras curiosidades

Átomo significa sem partes. Por extensão, indivisível. (É comum verem-se coleções de livros classificadas em Tomo I, Tomo II, etc.) Demócrito acreditava que, se a matéria pudesse ser dividida infinitamente, todo o universo se diluiria, não podendo nunca constituir-se.

Galáxia significa círculo leitoso. Via Láctea, caminho de leite.

Pakicetus, o fóssil ancestral da baleia, é composto por Paquistão, país onde foi descoberto, e a palavra latina cetus, origem de cetáceo, que significa peixe grande.

Têxtil deriva do latim textile, que por sua vez se refere a textu (texto), significando tecido, trama – por extensão, enredo, alguma coisa tramada, que se articula formando uma unidade revestida de sentido.

S. Francisco de Assis se chamava João

Seu nome era Giovanni di Pietro di Bernardone, e Giovanni deriva de Johannes, antiga forma latina que deu origem a Johann, João, Jean, John, Gian… – por isso, o nome da dupla formada pelos músicos Gian e Giovani se traduz como João e João.

Voltando ao assu… Voltando ao santo. Francisco (Francesco, no italiano) foi um apelido dado por seu pai, que o considerava “afrancesado”, talvez em razão do gosto de Giovanni pela literatura de língua francesa ou porque teria voltado de uma viagem à França encantado com os costumes locais.

Pedindo socorro

O pedido de socorro, em inglês, nos casos de emergência envolvendo a navegação aérea ou marítima, é mayday, que significa “dia de maio”, certo? Não. É uma forma corrompida do francês m’aider ou m’aidez, que significa “me ajude”. Nos tempos do telégrafo, era usado o S.O.S., uma sigla cujas letras em código Morse correspondiam a três pontos, três traços e três pontos. Além de ser fácil de se memorizar e de se transmitir, era um arranjo muito incomum na língua inglesa o aparecimento dessas três letras nessa sequência, o que, por si só, fazia ver que alguma coisa podia estar errada. Mais tarde, atribuíram significados ao velho S.O.S., como “Save our souls” (salvem nossas almas) ou “Save our seamen” (salvem nossos marinheiros). Essas versões são adaptações posteriores, configurando uma daquelas ciladas etimológicas que não correspondem à verdadeira origem do termo em questão.

 

Imagem: Michael Craig-Martin. Paradise. 2009.

3 respostas para “Origem das palavras”

  1. A palavra vôlei, forma reduzida de voleibol, vem da palavra inglesa volley, mas tem origem no latim volo, volare e chegou ao inglês por meio do francês arcaico voler.
    É a mesma origem de voar.
    O nome do jogo sugere bola ao ar, bola em voo.

Comentar