Lisette Maris em seu endereço de inverno. Adicional

Em Lisette Maris em seu endereço de inverno, a estratégia escolhida para transcrever o livro que o menino lê antes de dormir foi a de confundir, como se confunde a percepção dos sinais sob o peso do sono, as palavras, sua forma e seu significado.

Espero que não haja também um traidor entre nós. Esses copos que se movem afinal          um traidor        isso não me engana e não significa          cães rebeldes prepar            nessa escuna e não poder part           

           ntre eles. Espero que não h             afinal os mares, que mares? Damares antes que os cães reb                     um      traid

Fecho os olhos e o livro. A escuridão alivia-me o cansaço, devolve-me imagens avulsas como aquele dia claro no flanco norte e os lábios úmidos de Damares. A um passo do tesouro, talvez. A rica vegetação, o que esconde.

Os dois-pontos, neste trecho (já que uma das funções desse sinal é apresentar algo ao leitor), foram usados para a apresentação física dos ambientes, conforme o personagem os percorre. As palavras entram com ele, andam ao seu lado, sugerem o tempo de percurso, que é breve, e faz ver, na sequência, que ele vinha sendo assessorado pela velha criada da casa.

Damares mora nesse sobrado razoavelmente luxuoso, mas que também não é a oitava maravilha mais antiquada do mundo. Cozinha: copa: antessala: corredor: a criada, que nunca me olha nos olhos, informa que ela está ouvindo música na saleta contígua, a das almofadas.

Estudo com cristais (1993) foi concebido como um ponto de partida para seis personagens que futuramente se desdobrariam em outras narrativas, como no caso de Ester e Marina, personagens de outros textos presentes em Lisette Maris…. Lis aparece em Carta com sarcófagos.

 Andante de um concerto barroco (1998) procura ser uma forma intermediária entre o teatro e a literatura escrita. Não aspira a ser uma peça e não pode ser visto como um conto. O narrador deve ao leitor a fala de cada personagem sem dar-lhes diretamente os nomes, que são inspirados nas notas musicais:

Ut – Ruth
Resonare – Renato
Mira – Miranda
Famuli – Flávia
Solve – Sílvio
Labii – Olavo
Sancte Ioannes – Ione

 

 

 

Projeto esvanecendo-se. Adicional.

O ensaísta francês Joseph Joubert entendia que, para escrever bem, era preciso conciliar alguma facilidade natural com uma dificuldade adquirida. Isso se mostra rotineiramente no processo de criação literária. Alguns trechos partem de uma espontaneidade descritiva para depois encontrarem sua forma final, mais elaborada, e aqui se observam os sinais de dificuldade adquirida: voltar ao tom de espontaneidade inicial após todo o processo de elaboração. Fazer parecer que se acabou de vivenciar e contar algo, de um momento para outro, quando tal não aconteceu. Nesse caso, escolhi o recurso da imitação da sonoridade, frases curtas pontuando períodos mais longos e as falas das personagens soltas no texto, entre uma pequena descrição-narração e outra.

Ela separou uma chave, errou, depois acertou enfiá-la em algum ponto que não se via pelo lado de fora. PlecPlect! E eu entendi que todos tinham de destrancar esse tal portão por dentro, não havia outro tipo de controle que pudesse ser acionado a distância, sem sair dos apartamentos. Alguém tinha mesmo que descer, ir até a entrada, receber o visitante. Um lugar simples. Entra. Passei pelo portão aberto, estendi-lhe a mão direita, ela respondeu quase ao mesmo tempo, dando-me a sua. Tudo bem? Do mesmo jeito que a gerente do banco me cumprimentava.

A primeira tarde de areia e mel

Algum coloquialismo deve permanecer. Omissão de verbos, ausência de pontuação separando adjetivos em sequência por ser desnecessária para o entendimento do texto. Muita elaboração pode tornar a percepção das imagens artificial.

Era isso, em parte. Um pouco e tudo. Havia sim uma sensação nova, de estar sendo recebido acolhido auxiliado. A cada passo, eu subia mais e mais em minha excitação contida. E a cada passo eu assumia, quase conscientemente, os sinais mal definidos de uma anunciada sonora aromática irresistível decadência. Ela escolheu uma chave, destrancou a porta. É aqui. Entra.

A primeira tarde de areia e mel

Alguns trechos alternam o foco da terceira pessoa para a primeira (ou da primeira para a terceira), porque, ao acionar a memória, o narrador se observa como um personagem, alguém externo, que se mostra a sua frente como se fosse outra pessoa; e muito perto disso, no momento em que se sente intimamente envolvido nessa evocação, torna a assumir a narrativa como ele mesmo.

Sem forças, realizado e pleno, outra vez sob a meia-luz artificial, aproxima-se dela na banheira larga, miniatura de piscina cavada em alvenaria, um degrau acima do piso. Ela sorri tranquila, imersa junto a um dos vértices, só o rosto à tona, água morna em movimento. Retorno-lhe o sorriso, minha gratidão não tem preço.

Dias antes, dias depois

 

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Project fading away. Overture

Fritz Bultman. New York (detalhe inferior) Post. 1939

On the last day of 2004 I was faking hopes and a schedule of motivations that no longer existed in me. I had lost all my classes and I had no professional perspective, nothing in view for the next year. Marjorie’s brother bought fireworks. He and the rest of the family were all very excited because, after all, they were continually prospering, which for them always meant making money and having more and better … – no matter what, as expected. And it looked like, according to the natural order of things, they would continue to prosper in the coming year. Even my father-in-law, who does absolutely nothing, had bought a new car.

But other forces were at stake. Something neither of them noticed, and it was clear to me that they couldn’t notice it. By the time I was thirty-five, and what was affecting me with a considerable level of concern wasn’t exactly being out of work for a period of time, but it was my secret answers. They were kind of intensifying. That was the point. And my intuitive perception of the current situation, forging reactions that I didn’t seem to recognize as mine, which I kept in silence, which I protected in the shadow, which I hid between my teeth, but which I understtood strong enough not to remain ignored, was now the focus of my active attention. All completely invisible to them. No interesting at all. A collapse without a voice. A fall in slow motion, almost an orange alert. Tiny suspended signs – which only lit lamps inside myself.

Until such a short time ago, my dynamism my energy my dedication to the classes and to everything envolved in this fertile universe of shared ideas was as natural as if I couldn’t be different from that. But now I was. Until when, I didn’t know. For any length of time, something impossible to guess. Almost a decade ago, I was recovering from dangerous questions that were self-diluted and almost declined to the innocuous condition of playful ghosts when I met Marjorie and began to live with her. With her and with her practicality her proactivity her certainty of getting what she wanted – as if the essential issues that moved my restless thought didn’t have the slightest, yes, the slightest importance. And she wanted me.

 

 

Project fading away

Picture: Fritz Bultman. New York Post. 1939.

Projeto esvanecendo-se. O que ela faz durante o dia?

Nossa civilização não está pronta para isso.
E minha ociosidade não pode converter-se em frivolidade, algo assim sem rumo, não pode declinar à rendição.

O que ela faz durante o dia? Não pode ser que fique à toa na maior parte do tempo e em sua restrita dimensão de espaço, esperando que eu me prontifique a vê-la. Não existem dessas graças assim disponíveis, à mão de um oportunista hesitante que nem mesmo a sustenta. Não na vida real. Eu não me perguntava isso antes, porque não tinha nada a ver com a sua vida. Mas agora tenho. Então, o que ela faz durante o dia? Versão Josie: currículos em consultórios médicos dentários clínicas e similares, quer ser mais ou menos o que era antes, atendente secretária assistente meio telefonista meio sorrisos de covinhas, a sorte daqueles que a encontram e se alegram com seu rostinho de frente. Sabe atender sabe agradar sabe cobrar, débito ou crédito, via do cliente, agenda com fitinha azul, como não? Não. Não pode ser só isso. Entregar currículos? O dia todo? Todos os dias? Essa menina tem um currículo? Certificado do ensino médio, talvez. Ou nem tanto, será que ela terminou o curso? Mas pode ser que sim, já que ela pensa em fazer faculdade, é estranho… – lembrar de perguntar-lhe isso.

Por causa da solidão e da privacidade, será que ela anda nua pela casa? Ou seminua, que seja. Que diferença isso faz, se não estou lá para ver? Não importa. A curiosidade nos levou às estrelas. E minha curiosidade particular, com variações de voyeur adolescente, é apenas uma amostra sem futuro de tantas conquistas maravilhosas. A Josie seminua, melhor que nua. Fascínio de preliminares. Melhor que nua, sim, é o que sinto, o que penso. Vestida a cada novo encontro, quando me espera. Uma conquista maravilhosa. Acidental. Aconteceu de ser. Ela não fazia parte das metas. Não faz ainda hoje. E isso me encanta e gratifica justamente. O acidente o acaso a oportunidade me atraem. A intromissão na ordem esperada das coisas. Enquanto eu, o velho bom menino, aceito e obedeço, contido e conduzido pelo conjunto de decisões alheias, desde a voz mais próxima até as emanações quase abstratas de poderes inacessíveis, eu quase sucumbindo a um conformismo absoluto, acontece algo que desorienta os organizadores do mundo, que os surpreende, e, guardado em segredo, continuará desorientando ainda suas linhas traçadas nas tábuas nos códices nas pedras, desrespeitando suas projeções desafiando sua supervisão ameaçando sua ilusão episcopal de controle – sem que eles saibam! Que são as ações motivadas por fortelatentes sinais de vitalidade. Alheias às agendas. Golpeando seus projetos de construção social com a natureza provisória das situações improváveis que ocorrem entre os dias devidamente numerados, como os bemóis e os sustenidos cravam-se entre as teclas brancas e sua sequência lógica. Em minha imaginação de hormônios inquietos, auxiliares de minha desonra, a Josie passeia despretensiosa pela casa. Passa de uma divisão a outra, distraída. Em minhas noites brancas ela se move naturalmente à luz do dia em seu alvéolo, simples e silenciosa, com sua calcinha preta.

A Josie deve se sentir sozinha. Por muito tempo do dia. É assim quando estamos fora de alguma coisa do mundo. E… que mais? Ontem eu fui com a Quiel no centro. Ver umas coisas com ela, bater perna, comprar. Ver lojas, na Barão. Umas roupas. Coisas de maquiagem, de mulher. Só isso? Mas não todos os dias, suponho, e o dinheiro dela não vai durar sempre. Você quer ir comigo, lindo, vamos um dia lá no centro, nós dois, vamos, passear um pouco? Ah, eu ia amar você comigo, vendo lojas… Sim, eu sei que é espontâneo da parte dela, sei sim, pelo jeito falar, esse improviso, a entonação de voz, é algo de agora, não planejado, num instante ela me viu ao seu lado, centro da cidade, vagando ante as vitrines de umas ruas de vidro. Comprar-lhe um presente talvez. Comprar-lhe coisas, de vez em quando, pense nisso. Não. Não. Definitivamente não. Diga isso a ela, educadamente. Diga que não será seu companheiro de passeios de mulher. Mas calma, tenha paciência. Ela está sendo espontânea, só isso, não merece respostas bruscas. Imagine-se a cena, eu e a Josie, juntos por aí. Mãos dadas, quem sabe. Braços dados, à moda antiga. Não posso (versão real: não quero), de jeito nenhum. Não podemos. Nossa civilização não está pronta para isso. E minha ociosidade não pode converter-se em frivolidade, algo assim sem rumo, não pode declinar à rendição. Ainda estou inteiro, com tudo que fortemente penso.

Projeto esvanecendo-se

– sequência

27. Sonho com Josie na galeria – anterior

Guia de leitura

Imagem: Pintura de Scott Harding.

Projeto esvanecendo-se. Sonho com Josie na galeria

Ela não reage. Seu rosto parece sem cor. Talvez esteja morta.
Talvez seja apenas uma impressão, devida ao excesso de luz ambiente.

O sonho, Juan. Sentada ao meu colo, ela me beija fortemente, ao que correspondo com igual vontade, deliciado com esse privilégio. Estamos sobre uma mureta larga, de superfície lisa, pedra imitando mármore com manchas claras, em meio a uma galeria de lojas ou algum outro tipo de núcleo comercial de estética fria, mas limpa. Pessoas passam calmamente por nós, interessadas em outras mil coisas, e tudo indica que elas nos veem, não percebem nossa presença. Também sentado na mureta, a dois braços de distância, um homem grisalho, discreto e silencioso, nos observa e aos nossos beijos incontroláveis, porém com mínima curiosidade, alternando o foco de seu olhar entre nosso momento mágico e outra coisa qualquer ao redor, como se tudo fizesse parte de um mesmo contexto sem surpresas, declinando à neutralidade. Entre um beijo e outro, entre mechas soltas dos cabelos dela, que me obstruem a visão, identifico por um ou outro instante o teto muito alto e iluminado desse lugar, talvez todo estruturado em vidro, quase uma película nos separando a todos do céu claro logo acima. Deve ser um dia lindo, penso. Os cabelos dela têm a cor da areia, com mechas escuras irregulares, como se estivessem sujos. Algo me chama a atenção nessa coincidência de tons: as manchas na pedra lisa da mureta, a luminosidade, as manchas nos cabelos dela, algo alternando imagens limpas e sujas, claros e menos claros – mas nunca escuros. Ela tem as pernas bem delineadas sob a pressão da calça justa, camisa um pouco aberta no peito, seios no sutiã, cabelos despenteados por todos os movimentos que nos controlam, mais do que nós a eles. Em algum momento, vejo suas mãos bonitas, uns anéis pequenos mas encantadores, com detalhes coloridos. Também em algum momento, vejo seus pés, tão belos quanto suas mãos, em algum tipo de sandália baixa, com brilhantes. Então eu afasto seu rosto, subitamente preocupado com a situação, que só agora me incomoda, despertando-me uma preocupante ansiedade. Observo sua boca ainda úmida, refletindo o brilho desse ambiente amplo e iluminado. O homem grisalho ao nosso lado torna a nos inspecionar, rosto impassível, nenhum ar de crítica, apenas nos percebe ali, depois volta-se para umas vitrines ali perto, em frente a nós. Digo a ela palavras parecidas com estas: Ei, espere. Espere um pouco, escute… Nós estamos em público. Num lugar público. Está ouvindo? Essas pessoas todas, olhe. Veja você mesma. Ela não move a cabeça, apenas espera. É como se algo a imobilizasse. Continua de olhos baixos. Inerte. Só consigo ver suas pálpebras. Fico em dúvida se ela também está olhando minha boca ou algo à altura do meu peito ou, enfim, se está morta – o que, curiosamente e sem nenhum espanto, me parece o mais provável. O homem grisalho ergue um braço, apontando algo na vitrine à frente. Aqueles são os relógios!, com algum sinal de entusiasmo. Eu o considero, intrigado, olho para a vitrine que me aponta, mas não consigo identificar nada ali. Volto-me para ela, a garota agora quieta junto a mim. Veja, você mesma, essas pessoas todas. Está vendo? Ela não reage. Seu rosto parece sem cor. Talvez esteja morta. Talvez seja apenas uma impressão, devida ao excesso de luz ambiente. Nós estamos em público. Ouviu? Finalmente ela move a cabeça, concordando. Ainda sem olhos. Rosto voltado para baixo. Pálpebras de uma morta. Uma jovem morta. Mas eu continuo falando a ela. Me procure. Vamos sair juntos. Outro lugar. Um horário qualquer. Agora ela está de perfil, ainda sentada sobre minhas pernas, braços ao redor de meu pescoço, cabelos presos num rabo de cavalo – mas não entendo como, em que lapso de tempo, ela fez isso, prender os cabelos, se um instante atrás estava morta e com os cabelos soltos. Com o rosto de lado, como se avistasse algo a distância, no vértice das galerias, sem olhar para mim, finalmente escuto sua resposta. Não. É imprudente. É arrogante. O quê? Arrogante? Sim. Você acha que eu estou a sua disposição. Mas daqui a pouco não serei mais nada. E você nunca mais vai me ver. As chances se extinguem, não entende? Se extinguem para sempre.

Meus sonhos intrigam o doutor Stabile. É que eu não conto a ele mais do que isso, ficam faltando peças ao quebra-cabeça. Ele talvez desconfie, experiente, que essa garota se repete em algumas de minhas maravilhosas produções involuntárias em meio ao sono, interrupção inevitável da vigília. As peças que faltam, que sempre faltarão, é a Josie. Sobre quem ninguém, absolutamente ninguém, ninguém mesmo, pode saber.

Projeto esvanecendo-se

28. O que ela faz durante o dia? – sequência

26. O anjo de ficar – anterior

Guia de leitura

Imagem: Pablo Picasso. O guitarrista (detalhe). 1910.

Sonho 3588. Prokofiev à porta

Entenda, eu estava exausto.
Era um momento de minha vida em que as coisas estavam perdendo todo o significado.

O sonho é bem simples, Juan. Parece ser. Não sei. Uma conversa tranquila, sob as árvores lá da frente. Frente de casa. Prokofiev ali, ao portão. Calvo óculos olhos claros. Então, é aqui que você mora? Ele me entrega uma pasta fina, papéis dentro, vejo que são partituras amareladas mal arranjadas, margens escapando do retângulo verde-escuro que é a pasta. Eu lhe trouxe um último concerto. Um último concerto? Como? Não compreendo. Isso me fazia culpado, repentinamente. Culpado, constrangido. Olha, Sergei Senhor Prokofiev, é, foi assim mesmo que eu disse, coisa de sonho. Sou um grande admirador do seu trabalho, do seu trabalho magnífico intenso emocionante. Para o senhor ter uma ideia, a única coisa de que eu me arrependo em toda a minha vida foi daquela vez em que dormi durante um de seus concertos, particularmente o Número 2, para piano. É o mais lindo. O que mais me fascina. E eu adormeci. Eu estou em falta com muitas pessoas, com muitas coisas, comigo mesmo até, nem sei mais com que e com quem mais. Na verdade, eu cochilei apenas, sem defesa. Dois ou três minutos, quando muito. Sem defesa. Mas eu estava exausto, entenda. Entenda, eu estava exausto. Era um momento de minha vida em que as coisas estavam perdendo todo o significado. Em que eu não conseguia mais identificar as coisas que-eu-mais-tinha. E a sua música ainda era o que de melhor e mais humano eu podia identificar. Um último sinal de vida nas trevas. Quando eu era adolescente, sabe, sonhei que os Beatles é que tinham ido até minha casa. Mas eu cresci. E hoje é o senhor quem está aqui, comovendo-me sem saber, intenso. Prokofiev entrega-me a pasta, tranquilo neutro genial. Tome, fique com isso. Um último concerto. Um concerto sem número.

Leia mais sonhos: Sonho 1204 A estação orbital

Imagem: Sergei Prokofiev (1891-1953).