| APÓCRIFOS VIA INTERNET |
Hoje é comum veicular-se todo tipo de informação por meio da rede mundial de computadores, inclusive mensagens motivadoras cuja origem se faz desconhecida. Muitas vezes um poema ou um parágrafo em prosa, mesmo pregando belos sentimentos e valores humanos, vem assinado por um destacado autor da literatura nacional ou estrangeira. E assim desfilam por nossa tela conselhos de Shakespeare e Cervantes, Drummond e Bandeira, Victor Hugo ou Jorge Luis Borges.
Ocorre que os textos são falsos. Não se encontram entre a obra completa desses autores nem de outros. Por vezes as mensagens trazem nomes de filósofos que nem existem, com estranhos sobrenomes simulando polonês ou russo.
Até aí, pode não passar de mera curiosidade. O problema é que esses nomes consagrados são uma referência de autoridade, assim validando qualquer argumento formador de opinião que se transmita entre pessoas leigas, que não se darão ao trabalho de confirmar a autenticidade do texto em questão.
Em consequência disso, pessoas retransmitem em seus meios sociais informações falsas supondo serem verdadeiras, a ponto de uma superstição qualquer ser apoiada por físicos de renome e, em contrapartida, a própria História ser questionada, como nos boatos recorrentes que negam a chegada da missão Apollo à Lua, fato ocorrido há quatro décadas e exaustivamente comprovado por todos os órgãos oficiais.
Na mesma linha de credulidade cega, podem apoiar-se líderes como o atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em cujo discurso afirma ao seu povo que o Holocausto (também exaustivamente comprovado por uma notável quantidade de evidências) foi uma fraude.
A comunicação avulsa e massificada pode configurar uma combinação aparentemente inofensiva, mas potencialmente perigosa, já que forma opiniões de um indivíduo ou de toda uma sociedade.
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