Adicione aos Favoritos
Autor Textos Livros Relacionados Newsletters Downloads Contatos
O ENGENHEIRO E OS FUNGOS
“Quero brocas de três metros para os baldrames. Fundação de primeira!”

Estou doente.

“A alvenaria de elevação saiu melhor que o previsto.”

Fungos que haverão de minar as paredes, carcomer os batentes. Meu corpo.

“Caixas de inspeção no corredor, inclusive no pátio interno. Não teremos problemas quanto a isso.”

Sua clareza de raciocínio me inspira pena. Tenho pena de todos nós. Estou doente.

“Já foi requisitada a extensão da rede elétrica.”

Tu, que habitas o futuro, sabes que tenho razão. Toda vez que plantam um poste e modificam a rua, alimentam os fungos, queimam estágios, aproximando o tempo a tempo nenhum. Os pedreiros, cobertos de suor e cal, metade vivos, metade fungos – estamos todos doentes. A vida não tem cura. Viver é estar doente de tempo.

“Cumeeiras de dez graus. Telhado, duas águas.”

A casa está pronta. Ele não sabe que estou doente. Aniquilado, disperso, perdido desde já entre milhões de anos que separam o passado do futuro, só me resta mudar. Alguns passos (vejo a casa de frente), a distância inconcebível.

“A casa está pronta!”

Mais esse fato demarca o tempo que não sei, nutre os fungos com o que somos e não sabemos.

– de Lisette Maris em seu endereço de inverno
Voltar
 
website tracking amigos já visitaram este site
© 2007 - Perce Polegatto - Todos os direitos reservados
ClicSiteFácil