(e qual um deus)
construo uma pedra sem data
que permaneça
seu próprio monumento.
Indiferente ao quando de seu antes,
dispensado o bronze que a preserve,
não se arremesse ao depois de seu sendo:
que simplesmente exista. Como se sempre houvesse estado aqui.
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Pedra dos monumentos,telas e tinta,
película dos filmes,
papel que registra: a vida
(como a arte) não se sustenta. Da memória que transmuda em sombra,
só o que é morto alcança ficar.
Diário contra o destino.
Imagem: Alexandre Calame. Rochas perto de Murren, Suíça. 1860.



