Categoria Veja de novo

A águia, o urso e o coelho

Shakespeare escreveu que os homens deveriam ser o que parecem. Ou, pelo menos, não parecerem o que não são. Se pensassem como um urso, deveriam assumir a forma de um urso. Se tivessem as intenções de um predador como o leão, então seus olhos, sua boca, seu rosto deveriam ser as fuças de um leão. Na realidade, não é assim.

Gotas, goteiras, chá com bolinhos

“Mais do que de novas paisagens, precisamos de novos olhos”, escreveu Marcel Proust. Um dia, quando esse sensível escritor francês tomava chá com bolinhos, ocorreu-lhe, influenciado pelo aroma e pelo paladar característicos dessa combinação, resgatar definitivamente sua vida e seu universo, tão encantado quanto real, desde a infância até seus amores mais recentes, passando por tudo o que vivera no campo e na cidade.

De olhos claros e escuros

Rembrandt van Rijn viveu no período chamado Século de Ouro dos Países Baixos. Muito bonita a expressão. Solene e inspirando grandes apogeus de prosperidade. Sim, mas foi isso mesmo. (Só o que me parece contrastar com essas portentosas denominações é o fato de a vida continuar sendo algo parecido com o que sempre foi: instável, imprevisível, surpreendente.)
Nesse meio especialmente propício ao desenvolvimento das artes, Rembrandt cresceu, estudou e trabalhou. No decurso de sua carreira, ele pintou a si mesmo com certa periodicidade e assim nos legou uma sequência de admiráveis autorretratos. A vaidade? Sim, mas só no começo. Outros motivos, mais interessantes e profundos, parecem tê-lo motivado a isso posteriormente.

A morte exagerada de Paul McCartney

Com o boato obscuro, inicialmente anunciado por um radialista de Detroit, tratando da suposta morte do cantor Paul McCartney, um dos integrantes da banda britânica The Beatles, as campanhas de publicidade envolvendo os lançamentos de discos passaram também a alimentar essa mesma ideia, tão cara aos fãs e ao resto dos cidadãos – pois não há nada mais empolgante do que a morte de um ídolo, tanto para os que o amam quanto para os que o detestam.

A simples (e espantosa) descoberta de Wegener

Quem nunca observou com curiosidade que o recorte das costas brsaileiras se encaixa na parte leste da Àfrica como se tivesse sido arrancado de lá? Eu sei, eu também me diverti com essa imagem quando era menino. Por muito tempo, isso foi visto apenas como uma alegre coincidência. Mas não era. A coisa toda é sutilmente catastrófica – embora não pareça.

Anões na interpretação de textos

Roman Jakobson, um dos formalistas russos e pioneiro na análise estrutural da linguagem, procurava valores nos textos literários que pudessem justificá-los em si mesmos, independente de seu contexto histórico ou social. Tomando como modelo o poema O corvo, de Edgar Allan Poe, ele viu nessa obra sinais representativos desses valores, tanto sob uma perspectiva formal quanto semântica. Bom, mas o que é isso tudo?

Caçadores e virgens entre as estrelas

É que as estrelas que formam as constelações que vemos daqui também estão muito distantes umas das outras, em profundidades diferentes em relação ao nosso ângulo de visão. Mesmo assim, ao observar as mais brilhantes, encontramos formas e imagens conhecidas por nós – um caranguejo, um peixe ou um touro.

O Bom Velhinho vende

Que empresa ou produto ou serviço não se beneficiaria da simpática e confiável imagem do Papai Noel? Quem não gosta do Papai Noel, levante a mão. Muito bem. Quanto à maioria...

Disney nos deixou órfãos

Nas longínquas terras da Califórnia, enquanto as equipes de um estúdio mágico trabalhavam num ousado projeto que viria a se chamar Fantasia, o bem-sucedido visionário Walter Elias mandava buscar sua mãe em Kansas City para que ela assistisse, em sessão particular, a alguns trechos prontos do episódio O aprendiz de feiticeiro.