“De quem é isso?”
Meus personagens são seus próprios inimigos. A realidade os aflige por serem eles o que são e não por alguma situação especial. Ela então me perguntou se eu já tinha lido isto e aquilo, romances épicos sobre os ciclos da…
Textos literários por Perce Polegatto
Textos literários por Perce Polegatto
Meus personagens são seus próprios inimigos. A realidade os aflige por serem eles o que são e não por alguma situação especial. Ela então me perguntou se eu já tinha lido isto e aquilo, romances épicos sobre os ciclos da…
Gostaria de confessar-lhe que sentia uma grata emoção por reencontrá-la. Que havia superado minhas estranhezas dos tempos de colégio, que a perdoava por tudo. Ela estava ali. Junto a mim e tão próxima, na plenitude de sua beleza, após dez…
Não havia mais ninguém no colégio, e já escurecia. Bastidores do pequeno anfiteatro, fios mal enrolados, máscaras sem uso. Foi ali. Tentei esquecer Vanessa movido principalmente pela realidade de minha condição, o que me impossibilitava sequer alcançá-la como mera colega…
O suicídio não é a solução, pensava eu erroneamente. Mas esse equívoco já tinha o efeito de uma sentença infernal. Minha coragem voltou. Agora eu tinha todo o tempo do mundo, e poderia redigir duas mil vezes a mesma mensagem…
Eu tinha certeza de que a natureza já me havia libertado da ignorância. E o combate intelectual é tão devastador quanto a batalha dos homens. Eu sabia que boa parte de meus colegas tinha um quarto só deles, além de…
Não foi ainda minha última tentativa de alguma tolice. Por essa época, eu me havia iniciado em escrever cartas.. E Vanessa? O que pensaria de mim? Talvez isso a despertasse, talvez ela pudesse compreender os meus sentimentos. E isso instigaria…
Com um cofrezinho de joias, Fausto aproximou-se de Margarida: Vanessa não podia ser muito diferente daquela infeliz. Apesar de tudo, não conseguia deixar de investir em meus sonhos com Vanessa. Não conseguia esquecê-la. Só pensava nela – portanto, em mim.…
Eu não acreditava em contos de fadas, nem gostaria que fossem verdade. Não como nos livros. Perdido em minha conturbada solidão, eu só fazia assimilar a realidade dessas relações. Imaginava que um dia eles haveriam de se casar, teriam filhos…
Seria uma tortura tê-la sempre por perto, sabendo-a intocável. Eu a amava. Não fui eu a primeira nem a última vítima do senso de humor humano. Há também vítimas fatais, em diversos países. E sei que, como eu, há outros…
A dor desses vexames me atrai diabolicamente. Só eu sei como me senti, só eu sei como me sinto ao relembrá-los. Por vezes eu me calava e não reagia, aproveitando-me oportunamente para avaliar os limites da mordacidade alheia. Quem sabe…