Categoria Romance

Os últimos dias de agosto. Abertura

Ao fim do jogo de contas, a coleção de detalhes associados, o precário compêndio de paralelos que talvez não fosse mesmo mais do que isso, assim prevendo outra noite de unhas, outra manhã de fuga, e ignorando sempre...

Apodrecendo ao seu lado

A vida se cruzava por toda parte, entre fluxos de tráfego, pedestres nas calçadas, nas faixas de segurança... Todos sempre se deslocando em busca de alguma coisa, vivos, tentando se realizar de alguma forma. Enquanto isso, em silêncio, ela apodrecia ao meu lado.

O nome dela era Vanda

Após tê-la conhecido de perto, sentiu que se fazia, a corça, muito mais inalcançável, mais do que antes, quando não passava de uma sombra indefinida, e como se desde o primeiro momento ele desejasse, sem saber, alcançá-la. Ousadias avulsas. Resultado de superfície. Cansativos rituais de acasalamento. Mas no momento incerto, depois tornado certo, o desejo é maior do que o mundo.

Assim são as festas

A desconhecida voltou à sala, acenou a uns amigos, o que fazia ver que não estava na festa até então. Especialmente abraçou outra garota. Perguntou por ela e por alguém mais, antes de iniciar o ritual de trocar beijos contados à altura da orelha ou estalados em falso, no ar, com uns rapazes que aparentemente a conheciam. Um deles, desviando o rosto, beijou-a na boca, ela não se importou e sorriu.

Vanda vence a água e as nuvens

Mal podia vê-la, a roupa que fosse, eu chegando ao apartamento, já a desejava com toda a saliva a sufocar-me a garganta, essa sensação inconfundível que precede e já desencadeia os estados de grande excitação, e isso me cegava, impedia-me considerá-la ainda como pessoa, mal tinha tempo de pensar em qualquer outra coisa caso ela não me refreasse algumas vezes...

Sem adeus

Os grandes, pai, talvez fossem apenas médios. Não, não me diga de novo que não sou ninguém. Estou aqui ao seu lado, não quero criar discussões desnecessárias. Estou caminhando, carregando seu peso. Parte dele, nessa alça da frente. Não pense que não sou grande à minha maneira. Tento ser humilde, tenho essa coragem. Busco respostas sem que o saibam, em meu silêncio triste.

Na cama, depois de tudo

Mônica vinha se transformando a cada fim de semana. De certa forma, ela também me preocupava. O pior de tudo era não termos dinheiro, acho. Não tenho certeza. O pior de tudo era o país. O pior era eu. Acho. Fiquei olhando seu rosto inclinado no travesseiro. Gosto de ver sua boca relaxada, entreaberta, mesmo que apareça seu dente quebrado. O nariz reto, mas não aquilino, inspira-me ousadia, determinação, firmeza. Ela não tem nada disso.