
A bela e as esferas
Foi então que, abrindo os olhos, voltando dessa experiência mística, esse meu rápido e estúpido transe, me aconteceu perceber o interesse de uma jovem púbere, de agradável semblante, que a mim observava discretamente de sua mesa, relativamente próxima. Estava com os pais – veja-se se isto são lugares para se levar uma garota dessas numa noite de sexta-feira! Uma ninfeta de pelo menos treze anos, que o inverno fizera calçar botinhas e estreitar-se em malhas justas, reveladoras de formas em transição. Magrinha, delicada, cabelos lisos que um enfeite discreto desviava para o ombro esquerdo, seu pescoço parcialmente emoldurado pelo capuz do casaco, que lhe caía dos ombros às costas como formando uma ligeira corcunda. Uma graça. Um doce. Um pecado.








