Conheci Ester no balcão de uma cantina – pelo menos, foi quando nos vimos. Não sei, mesmo hoje, se cheguei a conhecê-la como se espera conhecer alguém. Costumávamos almoçar ali, separadamente, quando não existíamos. Da primeira vez, iniciou-se uma conversa por acaso. Ela era educada, levemente arrogante. Da segunda, toquei seu ombro antes de me sentar – era morno, convidativo. Na terceira beijei-lhe o rosto, pele clara e bem tratada. E nos dias que se seguiram... Não, não havia nada menos casual do que nossos encontros na cantina.