O homem do violão azul

Este fragmento de poema aparentemente inofensivo de Wallace Stevens dá o que pensar sobre as escolhas dos artistas e as condições da arte. O músico Tom Zé encantou-se ao conhecê-lo. Outros poemas desse norte-americano costumam ser algo enigmáticos, estranhos aos nossos olhos viciados em praticidade e treinados a assimilar conceitos transmitidos pelo ambiente acadêmico. Mas observem: o dia é verde. O violão é azul. E as pessoas….

Homem curvado sobre violão,
como se fosse foice. Dia verde.
Disseram:  “É azul teu violão,
não tocas as coisas tais como são.”.
E o homem disse: “As coisas tais como são
se modificam sobre o violão.”.
E eles disseram: “Toca uma canção
que esteja além de nós, mas que também seja nós.
 
No violão azul, toca a canção

das coisas justamente como são.”.  

The man with the blue guitar, 1937. Tradução de Paulo Henriques Britto.

 Leia mais poemas e sobre poesia: Eu morri pela beleza – a arte de Emily Dickinson

Rapsódia em cinza

3 comentários

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  1. É realmente a poesia e a prosa me atraem, mas ainda sou pássaro dentro do ovo, quem sabe um dia poderei escrever como um escritor de verdade, assim como você. Com relação ao poema é belo, simplesmente, belo, devemos ser nós próprios, humanos na simplicidade, afinal para que complicar o que não é complicado.

    Para que querer ter
    Outra forma
    Se a sua forma
    Já lhe é dada
    Para ser o que é