Pequenos coletores de papel

Descansam a carreta no pouco onde cabe
toda a vida de nunca descansar.

O pequeno aperta os olhos contra o sol.
De mangas enormes, acena o mais velho
(ou seca em seus farrapos o suor da testa?)

Não, esses meninos não são o objeto de minha arte:
               eles são suas próprias vidas.

Quando acenam, não é para os poetas.
Quando voltam, saem à cata de mais papel,
atulhando a carreta com restos
               – de que vã poesia?

Eles mesmos puxam a carreta.
Eles são seus próprios animais.

Diário contra o destino.

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Imagem: Iberê Camargo. Andamento I. 1973.

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