Categoria Poesia

Quarto

  Quero um quarto só janelas para que eu possa fechá-las todas tornando-o menor e meu.   Quero que seja menor e menor mas com muitas janelas cada vez maiores – para que eu possa fechá-las todas.     Para…

Manifesto

(Este poema em prosa tinha uma razão de ser quando foi publicado pela primeira vez.) Não escondeu o matagal o sangue puro do povo, nem o tragou a areia do pampa. Ninguém escondeu este crime. O  Crime foi no meio…

Lugar

  Tua alma                                                           a teu ver eterna-inútil. Tua morte                                     sonho de renascer absurdo-vão. Teu corpo                                    …

Espelho-rosto

Oxidação, reflexos: a fina ferrugem
minando a margem
mostra-me que a morte perpassa os dias
na superfície insólita do mundo
e forja a face do tempo em sua fuga.

Pequenos coletores de papel

Descansam a carreta no pouco onde cabe toda a vida de nunca descansar. O pequeno aperta os olhos contra o sol. De mangas enormes, acena o mais velho (ou seca em seus farrapos o suor da testa?) Não, esses meninos…

Canção de ser

Aura da morte no mofo das fachadas,
ameaça inerente às coisas que são e têm sido.
Torna a chuva a demarcar o tempo,
supõe ouvir: é preciso coragem.

Rapsódia em cinza

Sol em teu passado, mesmo que hoje atravessa teus olhos.
Mesmo o inverno. Dias de chuva.
E teu sonho.

Álbum

Pó sobre os retratos (não adianta soprar), sépia
minando varandas, jardins intransponíveis.

O misterioso Paul Celan

Romeno de nascimento, Paul Antschel, na versão germânica, ou Ancel (cuja inversão de sílabas usou para definir seu pseudônimo), sobreviveu ao Holocausto. Mas nos campos de extermínio nazistas perdeu todos os outros a quem amava. Essa desgraça, como naturalmente se pode deduzir, marcou para sempre sua vida e sua obra.

Eu morri pela beleza – a arte de Emily Dickinson

Sim, a arte de Emily, a arte dos inéditos. Há outros casos curiosos de autores que não conseguiram publicar seus textos em vida. Talvez o mais conhecido para nós, de língua portuguesa, seja o poeta Fernando Pessoa, que em vida publicou seu poema Mensagem por ter sido classificado em um concurso literário – ele ficou em segundo lugar, perdendo para Vasco Reis. Conhece? Achei que não.