
Vencidos, uma questão de tempo
Se vou morrer hoje, tudo bem, eu pensava. Só o que me trazia um incômodo nervosismo era imaginar como morreria. Um só daqueles mísseis, se atingisse o apartamento, se atingisse, digamos, o centro da sala, não me daria tempo para um último suspiro. Força de expressão, claro: por que eu haveria de querer um último suspiro? Se atingisse outro cômodo, quem sabe, talvez eu morresse sob escombros, gemendo alguma coisa incompreensível ou amaldiçoando todas as guerras do mundo.








