Inconsistência dos retratos. Adicional

Sete anos em Manhattan

Eu havia reencontrado um amigo dos tempos de escola, numa livraria, mas ainda não fora esse episódio isolado, inicialmente desprovido de maior significado, o que deflagrou a ideia do conto. Em outro momento, fiquei pensando na vida de todos nós, filhos do capitalismo, das ilusões materiais e das ideologias que nos obrigam, desde cedo, a ser bem-sucedidos em alguma coisa. Criei essa metáfora de um reencontro, associando a lembrança de meu amigo distante, tendo como narrador-personagem um homem não propriamente bem-sucedido financeiramente, mas bem-sucedido no processo de construção de sua “casa”, isto é, sua pessoa, sua estrutura interna, enfim, sua vida – enquanto o outro, movido por todas as recompensas materiais e morais propostas pelas ideologias vigentes, não havia encontrado a si mesmo. Tento cultivar essa lição a partir de minhas próprias composições: a ilusão de ser um escritor famoso ou bem pago por seus livros não se compara à gratificação que um texto, bem-sucedido em si mesmo, pode proporcionar a seu autor. Não vale a pena ser um Hemingway, se o preço disso é suicidar-se vitimado pela angústia. Afinal, o que podemos aprender ou ensinar uns aos outros? Tomara que seja a verdade.

Um par de amigos, um caso ímpar e A prometida história de fantasma, com os mesmos personagens, seriam os primeiros contos de uma série tratando da amizade entre os homens, seu cotidiano, seus interesses, usando uma linguagem acessível, tons de bom humor e mencionando atualidades.

 

2 respostas para “Inconsistência dos retratos. Adicional”

Comentar