Sonho 2413. A jovem viúva

No instante seguinte, ela está mais calma.
Seu vestido agora é verde.

A minha amiga Taíza Barros

Vestido e chapéu escuros, renda fina cobrindo-lhe o rosto, certamente de luto, ela me espera sentada, na pequena sala ao lado. Quando entro, vejo-a pelas costas, ombros e cabeça baixa. Pronuncio seu nome, e ela se volta, erguendo-se e entregando-se rapidamente: um abraço muito forte, movido por uma emoção e uma carência intensas.

“Era para eu encontrar você só quando estivesse bonita”, falando entre lágrimas. “Mas ele morreu, eu não pude evitar…”

Sem saber o que dizer, eu arrisco:

“Mas você está muito bonita. Você é mesmo muito bonita. Quem morreu? Me diga.”

“Não era para eu encontrar você assim…”

Toco o rosto dela, sentindo a renda suave, uns fios de cabelo escapando de presilhas invisíveis.

“Não tem importância. Não mesmo. Olha pra mim.”

“Eu não queria fazer isso. Você acredita?”

“Acredito. Mas você estava bem, estava se divertindo. Eu não me importo. De verdade. Não tem importância que tenha me traído. E afinal, quem morreu?”

No instante seguinte, ela está mais calma. Seu vestido agora é verde. Batem à porta: são três coreanos que, com gestos respeitosos, orientados pelo silêncio, lhe trazem presentes.

Inconsistência dos retratos – Guia de leitura

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Imagem: James Whistler. Noturno: cinza e ouro. Neve em Chelsea. 1878.

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