Categoria Conto

Sonho 1741. Momento na galeria

Ela não reage. Seu rosto parece sem cor. Talvez esteja morta. Talvez seja apenas uma impressão, devida ao excesso de luz ambiente. Sentada ao meu colo, sobre minhas pernas, de frente a mim, ela me beija fortemente, ao que correspondo…

Constanza

Depois, as agruras da vida, em forma de uma bruxa má, passam a alimentá-los dia após dia, mas de outra maneira: fazendo-os inchar e engordar, com a intenção declarada de devorá-los em breve. Eles estão presos. Estão casados. Constanza é…

Sonho 1128. A pedra de atrito

Então ele se deita no chão, com o rosto entre os braços, e irrompe a chorar convulsivamente, como uma criança. Eu me aproximo, querendo saber o que aconteceu. Meu amigo e eu caminhando por um bosque claro e tranquilo, árvores…

Sonho 1512. A clínica e o funeral

Receio que, talvez, magicamente, aqueles cobertores o façam desaparecer. Ou o transportem a um subterrâneo simetricamente oposto às moradas dos deuses, geralmente no alto das montanhas enevoadas. Próximo aos dois degraus da entrada, no jardinzinho malcuidado de uma casa modesta…

Queremos o fim do Quixote

Sempre me impressionou muito que as pessoas andassem com calma – mesmo entre conhecidos e em suas próprias cidades. Também muitas vezes acreditei que a maneira de andar, assim como alguns gestos viciados ou cacoetes, fosse a sugestão de que a natureza orgânica começasse por eles a apresentação dos sinais de alguma desarmonia mais profunda. Mas nada disso eu via entre as ótimas pessoas que andavam por toda parte.

Passe para pequenas viagens

Eu me detinha finalmente, após a tarde de minha estranha primavera. Eu me detinha após milhares de anos de civilização e genes repetidos para que sempre umas pessoas e outras habitassem as cidades e coisas parecidas com cidades. Eu me detinha na esquina de todas as cidades. Outro como eu em Buenos Aires, em Frankfurt, em Alexandria, em Odessa, em Melbourne...