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Sonho 3340. Umas ruas, uma cidade cor de areia

A rua tem um degrau. A partir desse degrau, torna-se outra rua, em outra cidade. Sinto que estou mais próximo do conhecido portão de casa, a casa onde vivi parte de minha conturbada infância. Meu pai, falecido há quatro anos,…

Sonho 1741. Momento na galeria

Ela não reage. Seu rosto parece sem cor. Talvez esteja morta. Talvez seja apenas uma impressão, devida ao excesso de luz ambiente. Sentada ao meu colo, sobre minhas pernas, de frente a mim, ela me beija fortemente, ao que correspondo…

Sonho 1081. A carruagem veloz

Há um grupo de homens uniformizados, com seus cavalos, bem à frente. Uns montados, outros de pé, apenas inertes ao lado de suas montarias, talvez aguardando ordens. Alguns desses homens caminham devagar enquanto olham o chão, como vistoriando o local, aparentemente de maneira aleatória, cruzando caminhos. Dois cães passeiam entre eles, também calmos, mas sem rumo. Um nevoeiro esconde as entranhas do bosque.

Sonho 1204. A estação orbital

Então surge, bem perto de mim e sem que eu a tenha visto chegar, uma jovem que conheci há algum tempo, entre raras ocasiões, caprichos e arranjos do que chamamos acaso. Som de aves marinhas. Cabelos negros e lisos, pouco agitados pelo vento, esse mesmo vento que me parece tão forte e desconfortável.

“Você se lembra de mim?”, ela inclina um pouco a cabeça, procurando meu rosto, que continua voltado para o mar.

“Claro. Eu me lembro.”

Sonho 1448. O ancestral pré-histórico

Pouco atrás dele, entre ervas e baixos arbustos, passa uma jovem belíssima, clara e alta, uma mulher que tenho a impressão de já ter visto antes, talvez uma modelo fotográfica ou de moda, um desses rostos que se tornam familiares por força de o termos memorizado sem intenção. Sei, portanto, que ela não pertence àquele lugar nem àquele tempo. Ela é, como eu, uma visitante. Mesmo assim, está vestida com trajes rústicos, pequenas peças de pele animal. Enquanto caminha de uma parte a outra, até desaparecer por trás de uma árvore, a jovem olha o tempo todo em minha direção, com uma expressão simpática mas desafiadora, como se só estivesse ali para complicar ainda mais o quadro que não compreendo.

Sonho 1702. O velho anjo

Um antigo colega de estudos vai ao meu lado, estamos caminhando em direção ao cemitério, não sei para quê. Faz um dia claro, mas sem sol. Talvez nublado. Não sei.

“Estou pensando em escrever um livro”, ele diz enquanto seguimos por uma rua e outra.

Um livro? Por que escrever um livro? Por que ele quer fazer isso? – tudo isso são perguntas que me permito em silêncio.

“Estou pensando em escrever um livro...”, ele diz enquanto seguimos por uma rua e outra.

Um livro? Por que escrever um livro? Por que ele quer fazer isso? – tudo isso são perguntas que me faço em silêncio.

“Eu nunca pensei em escrever um livro”, eu lhe digo. “Você entende? Entende isso?”

“Não sei se entendo.”

Sonho 670. O filósofo “francês”

Entro numa sala de aula que é ao mesmo tempo um gabinete e um escritório, com partes de uma biblioteca. Conheço esta sala, já estive aqui, e nunca notei todos esses móveis, essa estante de livros, tão sólida e majestosa. Como sou distraído, penso.

Ali está o filósofo em sua mesa, lendo ou escrevendo. Eu me aproximo, começo a fazer uma entrevista com ele. Nesse instante, surge sobre a mesa um estranho cinzeiro de metal que eu suponho ser um gravador...

Sonho 2413. A jovem viúva

Vestido e chapéu escuros, renda fina cobrindo-lhe o rosto, certamente de luto, ela o esperava sentada na pequena sala ao lado. Quando ele entrou, viu-a pelas costas, ombros e cabeça baixa. Pronunciou seu nome, e ela virou-se, erguendo-se e entregando-se rapidamente num abraço muito forte, movido por uma emoção e uma carência intensas.

“Era para eu encontrar você só quando estivesse bonita”, falando entre lágrimas. “Mas ele morreu, eu não pude evitar...”