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Gotas, goteiras, chá com bolinhos

“Mais do que de novas paisagens, precisamos de novos olhos”, escreveu Marcel Proust. Um dia, quando esse sensível escritor francês tomava chá com bolinhos, ocorreu-lhe, influenciado pelo aroma e pelo paladar característicos dessa combinação, resgatar definitivamente sua vida e seu universo, tão encantado quanto real, desde a infância até seus amores mais recentes, passando por tudo o que vivera no campo e na cidade.

Tales de Mileto

O mais antigo pensador conhecido (e o primeiro evento histórico datado) Tales de Mileto (Mileto, Ásia menor, hoje Turquia, 624 a.C. – 546 a.C.) Descendente de fenícios, é o mais antigo filósofo ocidental conhecido, considerado o fundador da ciência e…

A bela e as esferas

Foi então que, abrindo os olhos, voltando dessa experiência mística, esse meu rápido e estúpido transe, me aconteceu perceber o interesse de uma jovem púbere, de agradável semblante, que a mim observava discretamente de sua mesa, relativamente próxima. Estava com os pais – veja-se se isto são lugares para se levar uma garota dessas numa noite de sexta-feira! Uma ninfeta de pelo menos treze anos, que o inverno fizera calçar botinhas e estreitar-se em malhas justas, reveladoras de formas em transição. Magrinha, delicada, cabelos lisos que um enfeite discreto desviava para o ombro esquerdo, seu pescoço parcialmente emoldurado pelo capuz do casaco, que lhe caía dos ombros às costas como formando uma ligeira corcunda. Uma graça. Um doce. Um pecado.

Perdemos o fim da missa

Eu olhava ao fundo o retrato de Machado de Assis, menino de morro, ascensão social e exemplo que querem os outros como encarnação de seus métodos de controle, este à minha frente, eu considerava, se não finge tanto quanto eu, espera como todos que eu escreva por ele, que eu veja o que ele ainda não vê, que esclareça algo do ridículo mistério do qual somos parte, nós dois, agora mesmo, eu a ser cumprimentado, ele a cumprimentar-me, também de pé sobre a vida, sem suspeitar talvez de que eu era, como ainda sou, incapaz, tragicamente incapaz, de atinar com a mais simples das respostas.

Ahmose

O mais antigo autor (escriba) conhecido Ahmose (viveu provavelmente cerca de 1650 a.C.) Escriba egípcio responsável pelo papiro intitulado Instruções para alcançar o conhecimento de todas as coisas obscuras (também conhecido como Papiro Matemático de Rhind), trabalho que versa sobre equações…

Retrato de meu hábitat quando jovem

Voltei para casa, mas sem grandes preocupações. No caminho, havia decidido levar adiante meu projeto, mesmo que não pudesse editá-lo. Deve ser algum distúrbio, eu sei. Cheguei menos cansado que o normal, suspirando assim mesmo, olhei com má vontade a pasta com meus textos sobre a escrivaninha (eu pretendia levá-los à editora, mas no último momento optei por não mostrar nada daquilo). Espantei uma barata cascuda que sugava minha xícara do dia anterior. Tranquei-me no quarto. Estava em casa.

Imhotep

O mais antigo cientista conhecido Imhotep (provavelmente 2650 a.C. – 2600 a.C.) Médico, engenheiro e arquiteto egípcio, o mais antigo nome conhecido, por meio de documentos históricos, do que hoje entendemos por cientista. Foi ministro-chefe do faraó Djoser, o segundo…

O Arcádio do Conselho Editorial

Antes de ir até lá, eu havia telefonado para confirmar a entrevista. Ela me deixara esperando por um tempo razoavelmente longo, pois fora o bastante para despertar-me o tédio, enquanto a gravação no aparelho entoava: Há um mundo bem melhor, todo feito pra você..., aquela incrível canção com a qual tentam nos motivar desde as trevas da infância.