Sonhos alados
“Olhe”, disse a pomba, apontando a cascata. “As pedras cercam as águas que caem e modelam seu curso. Mas a espuma, sua parte mais pura, esta flutua acima das pedras, e desenha, com suas nuvens de gotículas, os mais belos…
Textos literários por Perce Polegatto
Textos literários por Perce Polegatto
“Olhe”, disse a pomba, apontando a cascata. “As pedras cercam as águas que caem e modelam seu curso. Mas a espuma, sua parte mais pura, esta flutua acima das pedras, e desenha, com suas nuvens de gotículas, os mais belos…
Após muito pensar, considerando que vivia bem entre os seus e tinha a reciprocidade de sua amada, entendeu finalmente o que lhe faltava: a eternidade. Nasceram no mesmo dia, de famílias diferentes, numa região que a natureza ornou com colinas…
Caminharam até que, das trevas que a tudo envolviam, emergiu a nebulosa imagem de uma porta de arco, solidamente incrustada num altíssimo paredão de pedra, do qual não se via o fim.Era como se um muro intransponível barrasse todo o…
Por mais que se tentasse ver o contrário, era inegável que o pequeno Gino possuía desde cedo um ar patético, além de cultivar hábitos estranhos, não bastassem as singularidades impostas pelo destino. Foi na granja Belaroba, próxima ao eterno rio…
Tenho visto tantos desgraçados, tenho ouvido as mais terríveis histórias, conhecido os piores castigos. Rogaram-me mil pragas, amaldiçoaram-me muitas vezes com palavras e pedras, e fui ficando assim, obscuro. Tão logo Lauro se entregara ao transe, soube que teria de…

Jegue não pôde dormir nessa noite. Tentou passar ao cão, em sua linguagem simplória, toda a felicidade que sentia, sabendo que terminaria seus dias em paz, antes de partir para o novo mundo. Jegue vivia só para trabalhar. Condenado a…
Sempre essa miserável necessidade de ser amado por desconhecidos. Por uma legião de fantasmas que o julgam. O livro foi parar numas poucas livrarias, dois ou três exemplares em cada uma. São pontos de venda modestos, mal situados, pouco visitados,…

Enquanto isso, despertava, vestia-se, deslocava-se da precária pensão onde morava para o trabalho, contribuindo com a continuidade dos dias. Quando se deitava, percebia através das paredes a água vibrando macia dentro dos canos (que ele imaginava muito velhos) em direção aos reservatórios. Um ruído constante e quase secreto. Confundia as impressões que circulavam por seu sangue com esse surdo fluir dos líquidos na escuridão. E adormecia, sem entender.